O que é Turbidez da Água e Como ela afeta o Tratamento de Água?

Você sabe o que é turbidez? Quais são os seus impactos nos tratamentos de água e como podemos prevenir que ela influencie a qualidade dos corpos hídricos? Continue a leitura e descubra as respostas.

Você certamente já ouviu falar sobre os padrões de potabilidade da água, os quais envolvem parâmetros como o flúor, pH, Coliformes fecais, E. coli., água dura e cloro.

Estes são alguns parâmetros que são essências para determinar ou não se água é propicia para o consumo humano.

Para avaliar esses parâmetros, existem legislações especificas, como a Portaria nº 2.914/11 do Ministério da Saúde. E é por meio desta portaria que companhias de saneamento, como CASAN ou SAMAE, por exemplo, vão se orientar para a realização de suas análises.

Mas saber apenas se os parâmetros atendem os padrões não é suficiente, precisamos entender o que é cada parâmetro e seu comportamento no ambiente.

E dentre seus parâmetros, vamos falar sobre a turbidez, qual seu papel na potabilidade da água e a sua importância. 

Turbidez na Água

A turbidez pode ser entendida como a medida do espalhamento de luz produzido pela presença de partículas em suspensão ou coloidais, sendo expressa como Unidade Nefelométrica de Turbidez (NTU – Nephelometric Turbidity Unity).

Pesquisadores da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), em seu “Manual de Controle da Qualidade da Água para Técnicos que Trabalham com ETAS” (2015), colocam que:

A turbidez é um dos parâmetros de qualidade para avaliação das características físicas da água bruta e da água tratada. O valor máximo permitido para água tratada é de 1 NTU (unidade nefelométrica de turbidez) na saída das estações de tratamento de água e 5 NTU em qualquer ponto da rede de distribuição.

Mas como determinar se a água bruta ou tratada possuem os valores permitidos e quais os principais fatores responsáveis pela turbidez?

O que causa turbidez?

A turbidez é causada pela presença de materiais sólidos em suspensão como: silte, argila, sílica ou coloides, matérias orgânicas e inorgânicas finamente divididas, organismos microscópicos e algas.

As origens desses materiais podem ser diversas, desde o solo (quando não há mata ciliar – por meio da erosão);  mineração, como a retirada de areia ou a exploração de argila; indústrias ou o esgoto doméstico lançado no manancial sem tratamento.

Após chuvas fortes, as águas dos mananciais de superfície ficam turvas, graças ao carreamento dos sedimentos das margens pela enxurrada.

A presença desses materiais (em grande quantidade)  faz com que ocorra o aumento da turbidez, ou seja, quando os valores ultrapassam os valores máximos permitidos – temos assim a turbidez excessiva.

Uma consequência da turbidez excessiva em ambientes aquáticos é a diminuição da penetração da luz na água e, com isso, há a redução da fotossíntese dos organismos (tais como fitoplâncton, algas e vegetação submersa).

Outra consequência da turbidez é quando esses materiais se sedimentam e preenchem os espaços entre pedras e pedregulhos do fundo, eliminando os locais de desovas de peixes e o habitat de muitos insetos aquáticos e outros invertebrados, afetando a produtividade dos peixes.

Esses sedimentos em suspensão podem ainda carrear nutrientes e pesticidas.

Eles podem até interferir na habilidade do peixe em se alimentar e se defender dos seus predadores e as partículas em suspensão localizadas próximas à superfície podem absorver calor adicional da luz solar, aumentando a temperatura da camada superficial da água.

No entanto, águas de lagos, lagoas, açudes e represas apresentam, em geral, baixa turbidez, porém ela é variável em função dos ventos e das ondas que, nas águas rasas, podem revolver os sedimentos do fundo.

A turbidez é encontrada em quase todas as águas de superfície, em valores elevados (até 2.000 mg/l de SiO2), mas está normalmente ausente nas águas subterrâneas.

Seu limite pode ser melhor visualizado na tabela abaixo:

Valores estabelecidos para turbidez.

Como prevenir a turbidez?

Griebeler e Colaboradores (2005) levantaram trabalhos que avaliaram a eficácia de planos de conservação de solos em bacias hidrográficas e demonstraram que tais práticas podem reduzir em até 80%, sendo que os valores médios são de 50%.

Tais valores reduzem até 10,4% os custos de tratamento de água (conforme referências citadas pelos autores acima).

Nos mananciais de água para abastecimento, a turbidez irá interferir na desinfecção da água, pois o material em suspensão pode conter organismos e dificultar a ação do desinfetante. Outra consequência seria a formação de lodo extra nas estações de tratamento.

Exemplos dessas situações aconteceram em municípios do Vale dos Sinos, Blumenau e Arequipa (Peru), onde as empresas responsáveis pelo tratamento suspenderam ou reduziram os trabalhos de abastecimento devido a elevada turbidez dos mananciais.

Como medir a turbidez?

A turbidez é medida por meio do turbidímetro ou nefelômetro.

Esses equipamentos comparam o espalhamento de um feixe de luz ao passar pela amostra  com um feixe de igual intensidade ao passar por uma suspensão (amostra) padrão.

Quanto maior o espalhamento, maior será a turbidez.

Equipamentos para medir turbidez.
Equipamentos para medir turbidez (Nefelômetro e Turbidímetro Portátil).

Existem ainda outras formas que podem ajudar a determinar as causas da turbidez, como é o caso de análises microscópicos e observações in loco do manancial.

Análises laboratoriais para determinar a turbidez.

Na maioria das vezes, esses materiais se apresentam em tamanhos diferentes, variando desde partículas maiores (> 1 um), até as que permanecem em suspensão por muito tempo, como é o caso das partículas coloidais (diâmetro entre 10^-4 e 10^-6 cm).

Determinar suas características, suas origens e sua granulometria facilita muito o tratamento a ser utilizado para a turbidez, uma vez que sua remoção irá melhorar a desinfecção nas estações de tratamento, bem como os habitats das espécies aquáticas.

O papel do engenheiro ou técnico nas estações de tratamento ou de empresas/consultorias responsáveis pelo tratamento das águas de lagos, lagoas, açudes e represas, sendo ela destinada para abastecimento público ou não, é realizar as análises exigidas pela Portaria MS 2.914/11 ou pela Resolução CONAMA 430/2011, de forma a garantir o bem estar e saúde da população e a todos que direta ou indiretamente irão utilizar esta água, seja para consumo ou lazer.

E você, já trabalhou em estações de tratamento ou já utilizou alguma vez em sua experiência profissional as legislações mencionadas? Se sim, conte suas experiências e comente logo abaixo da postagem.



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Author: Émilin CS

Engenheira ambiental. Têm experiência na área de saneamento e gestão ambiental, buscando soluções usando QGIS e Bizagi. Atua na área de modelagem matemática para rompimento de barragens com software HEC-RAS.

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