Solos Contaminados: HPAs

O que são HPAs? Quais seus danos ao meio ambiente aos seres humanos? Como remediar áreas contamindas com HPAs?

Devido ao crescimento industrial, diferentes impactos são ocasionados por resíduos domésticos, industriais, tráfego de veículos e queima de combustíveis, os quais podem liberar diversos contaminantes, tais como os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs). Os HPAs podem depositar-se no solo por deposição atmosférica seca ou úmida, reduzindo assim a qualidade do solo.

HPAs são um grupo de compostos orgânicos que contêm dois ou mais anéis aromáticos, sendo que muitos deles são cancerígenos e mutagênicos. Devido as suas características como baixa solubilidade; facilidade em ser adsorvido no solo; e baixa taxa de degradação, ele acumula-se significativamente no solo, podendo inclusive contaminar o lençol freático.

[Texto originalmente publicado no Linkedin Pulse, veja também nossas postagem sobre Benzo(a)Pireno e Poluição do Solo]

Eles são produzidos principalmente pela combustão incompleta da matéria orgânica. Salienta-se que as áreas urbanas apresentam maior concentração de HPAs no solo que áreas rurais (podendo chegar à concentrações 10 vezes maiores). Esta correlação já foi verificada em diferentes paises, como India, Escócia, China, Espanha, entre outros.

[+++ HPA] Áreas de Tráfego Intenso, Industriais;
[ ++ HPA] Áreas Residenciais / Parques;
[ + HPA] Áreas sub-urbanas;
[ HPA] Áreas Rurais;

Além da proximidade de áreas industriais, a idade do local também influencia na concentração de HPAs no solo, pois haverá um maior tempo de exposição às atividades antrópicas que liberam esses contaminantes.

A acumulação de HPAs nos solos é influenciada por fatores como: Clima, Cobertura Vegetal e Características do Solo. As condições climaticas, tais como temperatura e umidade, influenciam a taxa de deposição dos HPAs no solos, de forma que há maior concentração de HPAs no solo durante o inverno e no período noturno. O tipo de cobertura vegetal também influencia pois plantas de médio a grande porte podem acumular (alterando o microclima) mais HPAs no solo. E as próprias caracteristicas do solo, obviamente, influenciam a acumulação de HPAs, sendo que solos com maior quantidade de matéria orgânica tendem a acumular mais HPAs.

Os HPAs podem ser divididos em dois grupos, conforme seu número de anéis aromáticos, onde o grupo de HPAs “leves” (baixo peso molecular) apresentam 2 a 3 anéis, e os HPAs “pesados” (alto peso molecular) apresentam 4 a 6 anéis. Essa divisão também é importante para a identificação de suas fontes, onde os HPAs leves são formados em processos de baixa temperatura (menores que 300ºC) e os HPAs pesados são formados em processos de alta temperatura (maiores que 300ºC).

[Alguns exemplos de HPAs, pois há mais de 100 compostos!] Fluoranteno; Pireno; Benzo(a) Antraceno; Criseno; Indeno(1-2-3-cd)Pireno; Benzo(g,h,i)Perileno; Antraceno; Fenantraceno; Benzo(a)Pireno.

Proporções entre os tipos de HPAs podem nos indicar sua origem, por exemplo, ao dividirmos a concentração de HPAs leves por HPAs pesados, resultados superiores à 1 indicam fontes petrogênicas (como derramamentos de óleos ou produtos originados do petróleo); e resultados inferiores à 1 indicam fontes pirogênicas (combustão incompleta de combustíveis fósseis ou materia). Wang e colaboradores resumem bem tais proporções em seu artigo sobre HPAs em solos urbanos.

Além de conhecer suas origens, é fundamental conhecer como remediar tais ambientes. Hedhli (2010) aplicou técnicas de fitorrestauração para tratar sedimentos dragados contaminados por HPAs, sendo que, após 2 anos, o autor conseguiu uma redução de mais de 90% da concentração de HPAs nos sedimentos. Abdel-Shafy e Mansour (2016) ainda colocam que as tecnologias mais proeminentes para o remoção de HPAs do solo são biodegradação e degradação fotoquímica.

Embora sejam contaminantes presentes no nosso dia a dia, pouco é comentado sobre eles. Estudos e Programas de conscientização são necessários com o intuito de melhorar o planejamento urbano e o direcionamento de recursos humanos e financeiros tanto para prevenir futuras contaminações quanto para remediar áreas já contaminadas.

Saiba mais em:

ABDEL-SHAFY, H.I.; MANSOUR, M.S.M. A review on polycyclic aromatic hydrocarbons: Source, environmental impact, effect on human health and remediation. Egyptian Journal of Petroleum. V. 25, n. 01. 2016. pg. 107-123.

Agency for Toxic Substances and Disease Registry
(https://www.atsdr.cdc.gov/substances/toxsubstance.asp?toxid=25).

HEDHLI, M. Phytorestauration des Sédiments de la Rivière Saint-Charles et du Port de Montréal Contaminés aux Métaux Lourds et aux Hydrocarbures Aromatiques Polycycliques. [Mestrado em Ciência da Terra] Université du Québec à Montréal. 2010. 140 p.

Tox Town – U.S. National Library of Medicine
(https://toxtown.nlm.nih.gov/text_version/chemicals.php?id=80)

WANG, C.; WU, S.; ZHOU, S.; SHI, Y.; SONG, J. Characteristics and Source Identification of
Polycyclic Aromatic Hydrocarbons (PAHs) in Urban Soils: A Review. Pedosphere. V. 27, n. 01. 2017. pg. 17-26.



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Author: Fernando BS

Engenheiro Ambiental e de Segurança do Trabalho. Atua nas áreas de recuperação ambiental, geoprocessamento e ciência do solo. Busca soluções utilizando softwares como ArcGIS, R e MATLAB.

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