Pisando em Solos Contaminados

Quais são os principais contaminantes químicos existentes no solos?

É comum encontrar referências à poluição das águas e do ar, mas, usualmente, pouco é comentado sobre a poluição do solo. O solo é um recurso natural que contém inúmeras funções, como:

– Meio suporte para agricultura;
– Ciclos biogeoquímicos; e
– Fonte de matérias primas.

[Texto originalmente publicado no LinkedIn Pulse, confira também nossa postagem sobre Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos e Benzo(a)Pireno]

A contaminação, ocasionada pela presença de substâncias químicas em concentrações que possam prejudicar a saúde humana e animal, pode acabar com o fornecimento destes serviços que o solo proveem.

Entre as principais substâncias químicas existentes em áreas contaminadas, as mais encontrados são os compostos orgânicos, tais como Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs) e Compostos Orgânicos Voláteis (COVs). HPAs são um grupo de mais de 100 substâncias que são originadas pela combustão incompleta de carvão, óleo, resíduos sólidos (lixo), entre outros; e os COVs, como o próprio nome menciona, são substâncias orgânicas que evaporam facilmente e incluem produtos do petróleo, solventes industriais e alguns pesticidas.

Boa parte dessas substâncias são consideradas cancerígenas, sendo que elas podem ficar retidas nas partículas do solo, podendo ser transportados para as águas subterrâneas ou escapar para a atmosfera, tornando-se um risco àqueles que estejam expostos.
Diversas técnicas estão disponíveis para o tratamento dos solos contaminados, visando reduzir a possibilidade de exposição de humanos a tais contaminantes, entre as técnicas estão:

– Biorremediação;
– Oxidação In-Situ;
– Atenuação Natural.

Existe diversas outras técnicas, porém, focarei na biorremediação. O trabalho de Bhadananda Biswas e co-autores apresenta um ótimo relato dos avanços no tratamento de áreas contaminadas com HPAs e COVs com uso de argilo-minerais e micro-organismos.

A principal fundamentação nesse processo encontra-se em fornecer aos micro-organismos um meio para permanecerem, de forma que este meio atraia as partículas contaminantes, que servirão de alimentos para eles. Conforme eles se alimentam, degrada-se os contaminantes existentes. Porém, esse processo de biorremediação não é tão simples, existem outros fatores a serem considerados, como:

– Tipos de micro-organismos (fungos ou bactérias? Ou associação destes?);
– Tipos de contaminantes (COVs? HPAs? Metais pesados?);
– Características físico-químicas do solo (Solo ácido? Básico? Arenoso ou argiloso?).

Dito isso, são necessários profissionais qualificados para analisar e interpretar todos os fatores envolvidos nas situações específicas, tais como avaliação da área contaminada; seleção do argilo-mineral; cálculo da taxa de aplicação e otimização do método de aplicação.

Entre fatores positivos e negativos, salienta-se que esta tecnologia é um procedimento economicamente e ecologicamente viável, sendo necessário estudos mais detalhados para a situação brasileira (pois nossos solos e clima são bastante peculiares), além de uma maior cobrança dos órgãos ambientais, de forma a identificar as áreas contaminadas e requerer a sua devida recuperação.

Fontes consultadas:
AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY. Disponível em: . Acesso em 17 jan. 2016.

BHADANANDA BISWAS et al. Biorremediation of PAHs and VOCs: Advances in Clay Mineral-Microbial Interation. Environmental International. v. 85. 2015, pg. 168-181.

EPA – TECHNOLOGIES FOR CLEANING UP CONTAMINATED SITES. Disponível em: <http://www.epa.gov/remedytech>. Acesso em 17 jan. 2016.



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Author: Fernando BS

Engenheiro Ambiental e de Segurança do Trabalho. Atua nas áreas de recuperação ambiental, geoprocessamento e ciência do solo. Busca soluções utilizando softwares como ArcGIS, R e MATLAB.

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