4 tipos de Coliformes Fecais que podem ser Encontrados na Água que Você Bebe

Muitos dos parâmetros avaliados na qualidade da água são físicos e químicos. Mas e os parâmetros biológicos? Nesta postagem, vamos falar um pouco sobre coliformes fecais.

Em postagens anteriores, falamos sobre os padrões de potabilidade da água e como sua análise é importante para saber se a água está própria para o consumo ou não.

Também já mencionamos outros parâmetros de potabilidade da água, tais como:

Lembrando que todo tratamento de água para consumo humano deve atender a Portaria de Consolidação MS nº 5/2017 e que toda análise é de suma importância para determinar o tipo de tratamento mais indicado para cada caso, seja ele físico, químico ou biológico.

Nesta postagem, iremos focar na parte biológica da água que consumimos, vamos falar sobre 4 tipos de coliformes fecais que podem ser encontrados na água que bebemos.

Escherichia coli (E-coli)

A E-coli faz parte do subgrupo dos coliformes termotolerantes que podem crescer a 44,5 ± 0,2°C, sendo o coliforme mais comum presente nas fezes.

Representação microscópica da E.coli.

resolução CONAMA nº 357 de 17 de março de 2005 define coliformes termotolerantes como:

Bactérias gram-negativas, em forma de bacilos, oxidase-negativas, caracterizadas pela atividade da enzima β-galactosidase. Podem crescer em meios contendo agentes tenso-ativos e fermentar a lactose nas temperaturas de 44º – 45ºC, com produção de ácido, gás e aldeído. Além de estarem presentes em fezes humanas e de animais homeotérmicos, ocorrem em solos, plantas ou outras matrizes ambientais que não tenham sido contaminados por material fecal.

Segundo Frasão (2016), existem 4 tipos de E. coli que causam infecções intestinais, sendo elas:

  • E. coli enterotoxigênica;
  • E. coli enteroinvasiva;
  • E. coli enteropatogênica; e
  • E. coli entero-hemorrágica.

O autor enfatiza que estes tipos de E. coli podem ser identificados num exame de fezes solicitado pelo médico, principalmente em caso de crianças, grávidas, idosos ou pessoas com sistema imune enfraquecido, como as que estão no tratamento contra o câncer ou Aids.

Geralmente, a contaminação pela E.coli ocorre após a ingestão de alimentos, fezes de pessoas contaminadas ou água (contaminação por despejo de esgoto) contaminadas pela bactéria.

Vale destacar que a E. coli é usada como um indicador eficaz da presença de protozoários entéricos ou vírus, além de poder ser usada para avaliar:

  • Potenciais impactos de resíduos humanos e animais;
  • Tratamento inadequado de água de abastecimento;
  • Penetração pós-tratamento de resíduos humanos e animais em sistemas de distribuição; e
  • A eficácia dos planos de gestão de risco em garantir a entrega de água potável segura nas torneiras dos consumidores.

Segunda APDA (2012), a E. coli é facilmente eliminada da água por tratamento através da maioria dos processos de desinfeção química, sendo eles por meio do uso de cloro, dióxido de cloro, ozônio e cloraminação; e física, como: ultravioleta, ultrafiltração e filtração rápida.

Os fatores chave em qualquer dos processos de desinfeção são o tempo de contato e a concentração de desinfetante aplicada, sendo que a presença de matéria orgânica pode reduzir a sua eficácia.

Os autores citados acima ainda salientam que:

Para o desinfetante mais utilizado (cloro) deve se garantida uma concentração de cloro residual livre igual ou superior a 0,5mg/l, durante pelo menos 30 minutos de contato, a pH maior que 8,0. Este valor deve ser encarado como valor guia para águas com turbidez inferior a 0,5 NTU.

Enterococos intestinais

Os Enterococos intestinais constituem um subgrupo de um grupo de organismos definidos como estreptococos fecais, compreendendo espécies do gênero Streptococcus.

Imagem Microscópica do Enterococos intestinais.

Este subgrupo é composto pelas espécies:

  • Enterococcus faecalis;
  • E.faecium;
  • E.durans; e
  • E.hirae.

OBS: Esse subgrupo veio substituir o parâmetro indicador Estreptococos fecais, por ser mais específico de uma eventual poluição de origem fecal.

Eles são excretados nas fezes de humanos e outros animais de sangue quente, incluindo gado, animais domésticos e aves, sendo que a maioria das espécies não cresce na água, ou seja, estão presentes em grande número no esgoto e podem estar presentes em ambientes aquáticos poluídos por esgotos ou resíduos de seres humanos e animais.

De acordo com o National Water Quality Management Strategy de 2011:

Alguns enterococos intestinais, isolados na água, podem ocasionalmente ser originários de outros habitats, incluindo o solo, na ausência de poluição fecal direta. Além de indicadores de poluição fecal, são ainda considerados como bons indicadores após reparação ou intervenção no sistema de distribuição.

Vale salientar que essas bactérias estão sendo utilizadas como um indicador de contaminação da água por organismos fecais patógenos.

Por isso que os Enterococos intestinais devem ser eliminados da água por meio da desinfecção química (cloro, dióxido de cloro, ozono e cloraminação) e física (ultravioleta, ultrafiltração, e filtração rápida sobre filtros otimizados).

Staphylococcus aureus

O Staphylococcus aureus ou S. aureus é uma bactéria gram-positiva que encontra-se principalmente na pele e mucosa das pessoas (boca e nariz), sem causar danos ao organismo.

Imagem Microscópica do Staphylococcus aureus.

Segundo CVE (2013):

Staphylococcus aureus é uma bactéria esférica (coccus) que aparece aos pares no exame microscópico, em cadeias curtas ou em cachos similares aos da uva ou
em grupos. É um gram positivo, sem motilidade, sendo que algumas cepas produzem uma toxina proteica altamente termo-estável que causa a doença em humanos. A toxina é produto da multiplicação da bactéria nos alimentos deixados em temperaturas inadequadas. Muitas das 32 espécies e subespécies do gênero Staphylococcus são potencialmente encontrados em alimentos devido a contaminação humana, animal e ambiental.

Eles ainda podem ser encontrados no meio ambiente (água, solo, ar, alimentos, objetos) contaminados com a bactéria oriunda do despejo de esgoto.

Clostridium perfringens

Clostridium perfringens são bacilos anaeróbios (raramente se multiplicam em ambiente aquático), redutores de sulfito e formadores de esporos, sendo exclusivamente de origem fecal.

Imagem Microscópica do Clostridium perfringens.

Possuem esporos menores que os cistos de protozoários, sendo resistentes a condições ambientais desfavoráveis em ambiente aquático, incluindo temperatura e pH extremos, além de serem resistentes à processos de desinfecção, como a cloração.

Valores Máximos para os Coliformes

Segundo a Portaria de Consolidação MS nº 5/2017, para aguá tratada e distribuída, os valores de E.coli devem ser nulos (ausência em 100 ml), ou seja, não é permitido ter a bactéria na água.

Já para os outros coliformes, não há valores estabelecidos na Portaria, porem, eles encontram-se dentro do grupo dos Coliformes termotolerantes.

Para rios de água doce, a resolução CONAMA 357/2005 estabelece que os coliformes termotolerantes (os que já mencionamos nesta postagem e outros) não devem passar de 200 coliformes por ml em pelo menos 80% ou mais, de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com frequência bimestral.

Considerações Gerais

Vale frisar que independente do tipo de coliforme, é extremamente importante realizar a investigação de todo o sistema de abastecimento de forma a identificar a eventual existência de risco a saúde humana, devido a presença desses coliformes na água.

E você já trabalhou com algum tipo de desinfecção para tratar esses coliformes?? Se sim, deixe seu comentário.



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Author: Émilin CS

Engenheira ambiental. Têm experiência na área de saneamento e gestão ambiental, buscando soluções usando QGIS e Bizagi. Atua na área de modelagem matemática para rompimento de barragens com software HEC-RAS.

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