Como os carros poluem o solo

Que os carros poluem o ar todo mundo já sabe. Mas será que eles poluem o solo? Entenda como isso acontece.

Existem diversas atividades humanas que poluem significativamente o meio ambiente. Mineração, industria química e esgotos. Com certeza, você já esteve discutindo no seu escritório de engenharia com seus colegas o impacto negativo que os carros têm sobre a atmosfera.

Qualquer maquina a combustão queima combustível e libera, teoricamente, dióxido de carbono (CO2) e água (H2O); contribuindo para as mudanças climáticas locais e globais.

Que os carros poluem a atmosfera, até nossos colegas dos setores administrativos já sabem. Mas você já parou para pensar que os automóveis também poluem o solo. Neste momento, até seus colegas engenheiros podem se perguntar, como isso ocorre?

A poluição do solo ocorre pela alteração de suas propriedades físicas, químicas e biológicas, expondo os organismos vivos ali existentes à contaminantes orgânicos e inorgânicos, tais como óleos e metais pesados.

Óleos ou líquidos de fase não aquosa (do inglês Non-aqueous phase liquids – NAPL) são substâncias não miscíveis (que não se misturam) quando entram em contato com a água e ar.

A gasolina, o óleo diesel e o tricloroetileno são exemplos de NAPLs. A composição desses óleos varia conforme a matéria-prima (petróleo), processo de refinamento e os aditivos adicionados.

No solo, esses óleos reduzem o crescimento da vegetação ao modificar as condições hídricas e químicas do solo e impactam nos micro-organismos ali existentes. Além disso, tais óleos são carcinogênicos e podem conter outras substâncias associadas, como metais pesados e hidrocarbonetos aromáticos.

As atividades humanas que liberam tais  contaminantes são industrias, automóveis e vias públicas. Mas como os automóveis e as estradas poluem os solos?

Esses contaminantes são gerados pela abrasão da superfície asfáltica com pneus, veículos mal calibrados com seus fluídos automotivos vazando, deposição de poluentes atmosféricos nas vias onde eles são posteriormente carreados pela chuva, entre outros. Este fato já é comprovado cientificamente, Jose Antonio Carrero e seus colaboradores da University of the Basque County (Espanha) mostram que uma das principais fontes de contaminação de solos urbanos é o tráfego automotivo.

Após a contaminação do solo, para remedia-lo (recupera-lo), é necessário conhecer a dinâmica desses contaminantes no solo. Sakari Halmemies e colaboradores de diversas instituições finlandesas apontaram que diferentes texturas (por exemplo, arenoso, siltoso e argiloso) influenciam na taxa de infiltração de diferentes óleos; Deborah A. Neher e colaboradores da Universidade de Vermont (EUA), ao estudarem a contaminação de solos da malha viária, observaram que a microtopografia (taludes e drenagem) influencia o trasporte destes poluentes; e Tongyan Pan e Tao Miao, do Instituto de Tecnologia de Illinois, demonstram que a concentração de poluentes no solo podem ser superior a 70% quando comparados com a concentração destes mesmos poluentes no escoamento superficial oriundo das estradas.

Andar com o carro com as revisões em dia e dirigir prudentemente não serve somente para que você tenha uma boa performance na estrada, ela também é importante para seu carro não saia por ai pingando contaminantes.

Andando de carro conscientemente.
Andando de carro conscientemente.

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Fontes Consultadas:

CARRERO, J.A. et al. Diagnosing the traffic impact on roadside soils through a multianalytical data analysis of the concentration profiles of traffic-related elements. Science of the Total Environment, 458-460:427-434. 2013.

HALMEMIES, S. et al. Estimation of the time periods and processes for penetration of selected spilled oil and fuels in different soils in the laboratory. Spill Science and Technology Bulletin, 8:451-465, 2003.

MATOS, A. T. Poluição ambiental: Impactos no meio físico. Viçosa, MG: Ed. UFV, 2010. 260 p.

NEHER, D.A et al. Roads in northern hardwood forest affect adjacent plant communities and soil chemistry in proportion to the maintained roadside area. Science of the Total Environment. 449: 320-327. 2013.

PAN, T., MIAO, T. Contamination of roadside soils by runoff pollutants: A numerical study. Transportantion Geotechnics, 2:1-9, 2015.

USGS – United States Geological Service. Non-aqueous phase liquids (NAPLs). Disponível em: <http://toxics.usgs.gov/definitions/napls.html>. Acesso em 22 fev. 2015.

VAZQUEZ-DUHALT, R. Environmental impact of used motor oil. The Science of the Total Environment, 79:1-23. 1989.

WAWER, M. et al. Characteristics of current roadside pollution using test-monitoring plots. Science of the Total Environment. 505: 795-804. 2015.



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Author: Fernando BS

Engenheiro Ambiental e de Segurança do Trabalho. Atua nas áreas de recuperação ambiental, geoprocessamento e ciência do solo. Busca soluções utilizando softwares como ArcGIS, R e MATLAB.

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