Planos de Amostragem

Planejamento de amostragens é essencial. Não caracterizar seu meio corretamente pode levar a erros significativos em seus projetos.

Não! Não é simplesmente ir para campo e coletar solos em qualquer lugar. Não basta você só colocar um balde na água e levar ela para o laboratório. Não é somente ir na pilha de resíduos sólidos e pegar algumas sacolas plásticas.

Você precisa ter um Plano de Amostragem. Você precisa definir como ocorrerá a amostragem, pois caso isso seja feito de forma incorreta, a amostra pode não ser representativa e você pode causar um grande prejuízo para aqueles que te contrataram.

Dependendo do que você irá amostrar e o objetivo da amostragem, há normas e manuais específicos para serem seguidos. Dois exemplos são os seguintes:

  • Solos para Avaliação da Fertilidade: Capítulo 3 do Manual de Adubação e Calagem da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo – Núcleo Regional Sul
  • Resíduos Sólidos (tanto para Previsão de Volume Gerado quanto para Classificação): ABNT NBR 10.007

Além das exigências solicitadas pelo laboratório que irá realizar as análises quanto às formas de armazenamento e transporte, é fundamental ter conhecimento do local que você estará amostrando.

Por exemplo, você vai coletar solo numa fazenda para conhecer a distribuição espacial de um metal pesado. Caso você realize uma amostragem aleatória, por caminhamento, talvez seus pontos de amostragem não cubram toda área, deixando alguns vazios, prejudicando as futuras análises.

Ou então, se nesta fazenda há tipologias de solos distintas, sendo que você sabe que no solo X, o metal pesado Y fica mais concentrado, você pode adensar a sua malha de pontos neste solo.

Outra distinção importante a ser realizada é entre amostras simples e compostas. Amostras simples são aquelas em que você coleta apenas um ponto. Amostras compostas são várias amostras simples misturadas, combinadas, representando uma diluição do todo.

Por que essa diferença é importante? Vamos supor que você irá realizar a coleta de um resíduo industrial em diversas pilhas. Usualmente são realizadas amostras compostas de resíduos em pilhas, pois suas análises de classificação (NBR 10.004) são custosas, misturando assim o material de todas as pilhas.

E se um dos materiais das pilhas não fosse perigoso? Ele irá ser misturado com outro perigoso e ao invés de dispor apenas uma pilha em um aterro industrial (procedimento com custo elevado), com a amostra composta, todas as pilhas serão classificadas como perigosas (sendo que nem todas elas são).

Outra situação da amostragem composta seria a análise de solos contaminados. Se você misturar um solo sem contaminação com outro contaminado, você pode aumentar a área contaminada de um empreendimento sem que a área realmente esteja contaminada. Por isso, é fundamental conhecer a contaminação em cada ponto amostrado, e não numa combinação de pontos.

Planejamento é fundamental em todas as atividades e amostragem não é exceção. Não adianta você ter um laboratório de ultima geração se a amostragem é realizada incorretamente. Os dados estarão errados da mesma forma. Portanto, organize-se, estude aquilo que você pretende amostrar e veja qual é a melhor forma de corretamente representar o seu sistema.



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Author: Fernando BS

Engenheiro Ambiental e de Segurança do Trabalho. Atua nas áreas de recuperação ambiental, geoprocessamento e ciência do solo. Busca soluções utilizando softwares como ArcGIS, R e MATLAB.

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