Memórias

[Texto originalmente encaminhado para Concurso de Contos da Livraria Curitiba]

Ela olhava pelo espelho enquanto escovava seu cabelo os traços do tempo, já não tinha mais seus lindos cabelos loiros seu belo rosto que agora da lugar a um rosto cansado e cheio de rugas. A escolha de ir pro asilo tinha sido dela, desde seu ultimo incidente com a escada, ela mudou, se sentia um estorvo inútil apesar da insistência de seus filhos em cuidar dela, sabia o que queria e mesmo sabendo que a amavam, era o melhor a se fazer.Sua filha passaria ali para pegá-la dentro de duas horas, tinha pouco tempo para arrumar seus pertence,que ironia toda sua vida, suas memórias em uma única caixa, ela escolheu levar pouca coisa, apenas o essencial para sua nova vida, dinheiro isso já não lhe importava mais, resolveu dividir tudo e dar a eles no dia de sua morte, já estava tudo pronto,eles tinham sido bons filhos amorosos, sempre a trataram com muito amor.

Ao guardar suas coisas as memórias começaram a surgir em sua mente, algumas tão presentes que escorreu uma lagrima de seus olhos, como podem ter passados tantos anos, para ela foram vividos a semanas, dias,meses, questionou-se sobre suas escolhas,  se tivesse tido escolhas diferentes talvez sua vida poderia ser de outra forma, lembrou-se de sua mãe, não tinha muita recordação de seu pai estes se separaram quando ainda era uma criança.Ela escolheu ficar com a mãe,pois era boa, sempre a tratava com amor, sempre lhe ensinou a acreditar, apesar da vida dura, seu pai nunca a visitou, morreu quando ela tinha 12 anos.

Lembrou-se de quando era moça, do seu casamento, da opção de largar o cargo de professora para cuidar das crianças, o fato de escolher nunca se casar e ter criado seus filhos sozinha, será que tudo valeu a pena? Será que se tivesse escolhido dar aula, suas condições financeiras seriam melhores ou ate mesmo teria dado uma vida melhor a seus filhos ou se tivesse se casado, ela ficou viúva muito nova, seus filhos eram pequenos ainda será que se tivesse casado não ficaria sozinha agora.Será?Será? Porque esses pensamentos a atormentam agora?no fim de sua vida,somos fadados as escolhas, muitas vezes não sabemos se são certas ou não mas fazemos o que achamos que é melhor naquele momento…A velha senhora guardou suas ultimas memórias, não podemos voltar ao passado e sim melhorar o que o passado nos trouxe, ela vivera uma vida feliz, e de uma coisa tinha certeza, se pudesse escolher, faria tudo de novo.



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Author: Émilin CS

Engenheira ambiental. Têm experiência na área de saneamento e gestão ambiental, buscando soluções usando QGIS e Bizagi. Atua na área de modelagem matemática para rompimento de barragens com software HEC-RAS.

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